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Como Cabrear RS-485 Corretamente em Sistemas Não Isolados (A/B, Common e Shield)

Leandro Roisenberg

Visão Geral: Como cabrear RS-485 em sistemas não isolados

O RS-485 é amplamente utilizado em sistemas industriais e de automação predial por oferecer robustez, simplicidade e elevada imunidade a ruídos. No entanto, engenheiros frequentemente enfrentam problemas de comunicação não por causa do protocolo em si, mas devido ao cabeamento incorreto — especialmente em sistemas RS-485 não isolados. Por esse motivo, este artigo explica, de forma prática, como conectar A/B, Common e Shield quando o sistema não utiliza isolação galvânica.

A e B: O Par Diferencial no Cabeamento RS-485

As linhas A e B formam um par de sinal diferencial. Na prática, os dispositivos transmitem dados como a diferença de tensão entre A e B, e não em relação ao terra. Portanto, sempre roteie A e B como um par trançado e utilize uma topologia linear (daisy-chain). Ao mesmo tempo, evite conexões em estrela e ramificações longas, pois degradam a integridade do sinal. Além disso, instale resistores de terminação (tipicamente 120 Ω) somente nas duas extremidades físicas do barramento, e não em cada nó.

Diagrama técnico mostrando como cabrear RS-485 em sistemas não isolados com shield

Common (Terra de Sinal): Obrigatório para Cabrear RS-485 em Sistemas Não Isolados

Em um sistema RS-485 não isolado, todos os transceivers compartilham a mesma referência elétrica. Por esse motivo, cada nó deve conectar o fio Common ao GND (0 V). Nessa função, o condutor Common mantém as tensões do barramento dentro da faixa de modo comum permitida pelo receptor. Caso contrário, diferenças de potencial de terra entre os dispositivos causam comunicação instável, dados corrompidos ou até danos permanentes.

Esclarecimentos importantes:

    • Common não é terra de proteção (PE)
  • Common não é o shield do cabo
  • Common é uma referência de sinal e deve permanecer contínuo em todos os nós

Shield: Proteção contra Ruídos e Regras de Aterramento

O shield do cabo fornece supressão de EMI e ruídos, e não atua como caminho de retorno de sinal ou de terra. Para evitar laços de terra (ground loops), conecte o shield em apenas um ponto. Melhor prática: conecte o shield ao chassi ou ao terra de proteção (PE). Se o PE não estiver disponível, conecte o shield ao GND, ainda assim em apenas um ponto. Nunca utilize o shield como Common.

Exemplos de Dispositivos e Como Cabrear RS-485 em Sistemas Não Isolados

Em muitos casos, dispositivos industriais e IoT utilizam interfaces RS-485 não isoladas, o que torna o cabeamento correto especialmente importante. Por exemplo, dispositivos típicos incluem:

  • TCW242 – módulo IoT industrial com RS-485 não isolado
  • TCW210-TH – datalogger de temperatura e umidade com interface RS-485
  • TCG140-4 – módulo IO 4G LTE para monitoramento e controle remoto

Resumo do cabeamento

Em um sistema RS-485 não isolado:

  • Conecte A e B a todos os nós
  • Conecte o Common ao GND em cada nó
  • Conecte o shield ao chassi ou terra em apenas um ponto

A maioria dos problemas de RS-485 que os engenheiros atribuem a “ruído” resulta, na verdade, de conexões Common ausentes ou shields com aterramento incorreto.

Leandro Roisenberg

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